A foto capa de revista do Mário... the camera manDepois de uma paragem rápida para almoço, onde sentimos o ventinho patagónico bem fresquinho na pele, lá segui na palhaçada com a Lucia, a partilhar experiências vividas e a pôr pedras nos assuntos. Ficou a coincidência de que duas pessoas tão diferentes, a viver em países tão distantes um do outro, podem viver e pensar da mesma maneira! Afinal tão perto!
Depois de um provável erro de percurso, chegámos à conclusão que não havia alternativa senão fazer a passagem de um afluente do rio Paine descalços com água até aos joelhos. A água estava gelada. Quando digo gelada era mesmo gelada, talvez uns 2 graus. Foi um momento alto do percurso ver as caretas de todos e ouvir tantos F#$"%& e C$%$%$
Com 8 horas nas pernas, já não aguentava com as dores que tinha nos músculos e depois de começar a ter caimbras musculares, comecei a ficar seriamente preocupada como seria mais 1 hora a pé até ao refúgio. Com o carinho e a paciência de todos, principalmente dos meus queridos padrinhos, muito açúcar, magnésio e barritas, consegui voltar a pôr-me em pé...
Depois disso, um dos grandes momentos foi sem dúvida a passagem do rio Paine a cavalo. Só podiamos passar dois de cada vez, mais ou menos 10 minutos para cada travessia. Eu e o Fael fomos dos primeiros por causa da minha condição física e porque ele conhecia o caminho até ao refúgio. A corrente muito forte, o vento frio cortante, o cenário indescritível, o grupo na outra margem... as emoções à flor da pele! Calças encharcadas, lágrimas nos olhos e muita força de vontade para continuar. Ficou a lição: comer antes de ter fome e beber água antes de ter sede.
Finalmente, o refúgio Dickson e o Fael a dizer: "Conseguiste!" Parecia mesmo uma vitória ver aquela casinha lá em baixo, ao fundo, uma luz alaranjada vinda das pequenas janelas... os tons de final do dia, quase noite, as montanhas salpicadas de neve e nós ali... no meio da imensidão, tão longe, a 9-10 horas da nossa carrinha de apoio.
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